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Tudo aquilo que nós (quase) fomos

Às vezes não é sempre.

Esses dias, enquanto caminhava de volta para casa imersa em pensamentos que não gostaria de enfrentar tão cedo, decidi – depois de muito relutar – baixar minhas guardas e sentir. Sentir o que? Tudo.

Andei daquele lado da calçada que andamos na primeira vez que você veio por aqui. Entrei naquela loja de esquina que um dia fomos para comprar alguns materiais de papelaria. Comprei um sorvete no quiosque da praça que quase todo dia visitávamos. Na segunda vez que fomos, nossa única preocupação era quanto mais tempo teríamos antes de anoitecer e o vizinho da casa 7 ir passear com o Husky que não ia muito com a sua cara.
Abracei cada pedacinho de história que vivemos por ali, e não mais me atrasei em colocar aquilo para fora. Doeu. Se antes eu teria empurrado de volta todas as lágrimas que queriam desesperadamente sair, naquele dia em especial não as privei. Chorei todo e qualquer centímetro cúbico de água salgada que poderia restar no meu organismo. Algumas pessoas passavam perguntando se eu estava bem, se precisava de algo. Me limitei a responder que iria passar.
Uma parte minha gritava internamente em desespero toda vez: “dele! É dele que eu preciso!”, mas essa foi a única coisa que não me deixei verbalizar em nenhum momento para os outros – e nem para mim.
Eu não precisava de você. Só estava acostumada a te ter por perto. Quando não éramos incrivelmente ruins um para o outro, poderíamos ser quase bons. E quase não é inteiramente.
Essa parte de mim você não levaria também, não, eu não deixaria.
Comecei a ver aquela situação de uma forma que nunca havia visto antes, porque talvez estivesse usando a lente emocional de nós dois, e você sabe, depois que senti tudo e toda mágoa que poderia caber no meu minúsculo corpo até não sobrar nada, ela – a lente – deve ter se desintegrado, e preciso te dizer:
O céu nunca foi tão limpo e claro. Eu nunca tive tanta certeza de que poderia precisar de muitas coisas, mas você não era – e nunca seria – uma delas.


Por: Paula Frazão

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