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Quando a luz dos olhos teus

Uma conversa com um eterno gosto de lará-lará.

Essa é uma das coisas que eu mais gosto em nós.

Nós conversamos, diversas vezes, sem dizer uma só palavra.

Eu sei que você também me entende. Eu sei que, quando estamos deitados na cama e o quarto está naquele profundo silêncio, eu vou encontrar suas palavras, seus desejos, suas vontades quando nos encararmos.

Eu sei que também leio você nas linhas do teu corpo, do teu rosto.

Eu sei que, quando te ofereço carinho, não ofereço apenas carinho. Eu te ofereço também o que é mais sensível em mim. Ofereço o que tenho de melhor. Ofereço o que carrego dentro do peito.

Eu sei que, quando meus dedos passam de forma suave pela sua pele, eu não busco só o arrepio, tão característico — ainda mais se for do seu lado esquerdo. Sim, o mesmo lado que carrega o coração. Nós nunca fomos tão sutis em nossas coincidências e você também sabe disso. Eu busco deixar minha marca, minha assinatura, minhas digitais. Eu busco me conectar mais com você —e eu acredito que seja sempre possível se conectar um pouquinho mais. Eu busco, também, o sorriso que você me dá logo em seguida, fechando os olhos. Você, um dia, deveria ver como você ilumina tudo quando sorri.

Eu sei que, quando meus lábios buscam sua pele, eu novamente busco formas de deixar minha marca em seu corpo. Por isso busco sua boca. Por isso busco seu pescoço. Por isso busco suas costas. Por isso busco seu peito. Por isso busco seus seios. Por isso busco sua barriga. Por isso busco cada pedaço do seu corpo — e sempre com vontade de buscar um pouco mais.

Eu sei que, quando nossos corpos estão encaixados, eu sinto o que eu assumidamente nunca senti antes. Não importa a hora do dia. Não importa o lugar. Não importa a posição. Quando deixamos de ser dois e nos tornamos um… Nós somos, realmente, um. Nossa alma, talvez, já fosse uma só muito antes de nos encontrarmos. Ela só estava dividida, incompleta, buscando sua outra metade em outras bocas, em outras esquinas, em outros corpos. Quem diria que estávamos, por fim, tão perto. Quem diria que estaríamos, hoje, ficando cada vez mais perto de sermos tudo aquilo que desejamos ser desde quando começamos a escrever, juntos, uma história que jamais seríamos capazes de escrevermos sozinhos.

Eu sei que, voltando ao encontro dos nossos olhares, você vai ficar, por vezes, sem jeito com o tanto que eu te encaro. Eu te revelei em diversas ocasiões que faço isso apenas para… Guardar mais de você. Então, a cada dia que passamos juntos, eu aprendo mais sobre você. Eu confirmo mais coisas que pareci sempre saber. Eu entendo mais como uma alma pode sim dividir dois corpos, de como uma dose se divide em dois copos. Eu te encontro. Eu me reencontro. Eu nos encontro.

Eu sei que, quando as mãos estão dadas, encontram-se as diversas linhas que carregamos em cada palma. Vida. Coração. Cabeça. Saúde. Casamento. Sol. Destino? Destino. Tudo isso pareceu tão bem escrito para acontecer quanto as palavras que aqui coloco. Somos um constante reencontro.

Eu sei que, não importa se estamos em silêncio enquanto tomamos um café ou uma cerveja, assistimos a um filme ou uma série, caminhamos em busca de um novo passeio ou voltamos pra casa, tomamos um banho de chuva ou embaixo de um chuveiro quente, estamos esparramados no sofá ou deitados na cama, eu sei que… Eu não preciso dizer uma só palavra, que você não precisa dizer uma só palavra, nós… Sabemos.

Nós sabemos que, juntos, somos muito melhores. Nós sabemos que o nosso amor é só nosso e que palavra alguma, de pessoa nenhuma, conseguiria traduzir o que fomos, o que somos, o que seremos.

Como eu sei de tudo isso? Ora essa… Você me contou numa dessas conversas que tivemos e onde não dissemos uma só palavra, mas que nossas almas recontaram toda a história que já viveram juntas em apenas um toque, um olhar, um beijo.

Eu sei que você sabe. A nossa vida tem um gosto eterno de lará-lará. Afinal de contas, seremos, eternamente, um reencontro do amor.


Texto: Nickolas Ranullo

Foto: @bob_sala

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