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Os viajantes são egoístas?

Os viajantes do mundo podem ser vistos como pessoas egoístas que não se importam com a família, amigos ou com o que está acontecendo com o país de origem. Mas, para mim, essa é a visão de quem nunca colocou a mochila nas costas e o pé na estrada.

É difícil explicar em palavras essa necessidade de explorar a Terra em que habitamos. É muito mais do que um desejo de tirar fotos em lugares alucinantes e mostrar pra todo mundo. É uma necessidade que vem da alma e que só nos mostra que todos somos cidadãos da Pachamama e não de um país específico.

Eu não sou diferente do senhorzinho tailandês que vive do outro lado do mundo. Eu não sou melhor do que a moça que vende flores no Peru. Nem sou pior do que os executivos de Manhattan. Somos a nação humana que vive na Terra e as fronteiras são mera ilusões. Eu viajo para não me esquecer disso. Viajo para ensinar o que aprendi aonde nasci e para aprender o que não tive a oportunidade de viver.

Que mal tem em querer ver o mundo dessa forma?

Chamam de egoísmo aquilo que eu chamo de autoamor. Às vezes é preciso dizer tchau pra algumas pessoas e oportunidades pra que se diga Olá para si mesmo. Viajar, ao meu ver, é isso. É me reencontrar comigo através do silêncio e do afastamento daquilo que já é conhecido por mim.

E para quem ainda acha que os viajantes do mundo (mochileiros ou não) são egoístas, eu tenho mais uma coisa pra te falar: no final das contas, todo mundo é egoísta. Aqui entramos em um dilema com a definição da palavra e faço questão de te explicar porque eu acho isso.

Por mais filantrópica que seja sua atitude, você sempre faz mais por você do que pelo outro. Você fica feliz quando vê o outro feliz. Você se sente completo quando ajuda alguém que precisa. Você se sente amado quando retribuem o carinho que você deu. Admitir isso não te torna babaca, te torna humano. Isso, ao meu ver, é um egoísmo saudável. Primeiro você pensa em você para depois pensar no outro.

Viajar me ensina que, além de sermos todos filhos da Mãe Terra, ela nos deu autonomia para sermos nós mesmos e fazermos nossas escolhas à partir dos pedidos do coração. Tem horas que o coração nos pede  para deixarmos de doar nossa energia para o outro para nutrir nossa própria vida com essa energia do amor. E os viajantes se nutrem com o próprio amor quando seguem a intuição de andarilhar por aí.

Se isso for egoísmo, me considero egoísta com muito prazer.

Mas venho aqui alertar que existe um outro lado dessa história também. Como disse, existe um egoísmo saudável que acontece quando pensamos primeiro em nós e depois no outro (prefiro chamar de autoamor). Só que eu sei que existem pessoas que passam por fases de total negação e isolamento.

Quando alguém nega sua origem, nega sua família, se afasta fisicamente e energeticamente daqueles que se importam com ela, essa pessoa tá negando uma parte de si mesma. Pensar inteiramente no próprio umbigo e esquecer que existem outras barrigas e outros umbigos ao redor, deixa de ser saudável. Digo isso porque, possivelmente, essa pessoa vai tomar atitudes que beneficie a si mesma, mas que acabe prejudicando aos demais. Aí sim seria um egoísmo maléfico.

Isso não tem a ver com ser um cidadão do mundo e amar se aventurar pelos cantos da Terra. O egoísmo maléfico tem a ver com os seres humanos que esquecem que somos todos hermanos e filhos da Pachamama.

A essas pessoas eu indico VIAJAR como remédio. Durante a viagem é possível trocar o egoísmo maléfico pelo egoísmo saudável e tomar as rédeas da própria vida sem que isso prejudique os demais. Então bora viajar?


Por: Thaís Duarte

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