385 Views

Na Pontinha dos pés

O gesto mais romântico que se pode fazer.

Parem as máquinas, pulem as comédias românticas da Netflix. Cancelem os sonetos. Shakespeare e Vinícius, me desculpem. Hugh Grant, Richard Curtis, tirem o mês de férias. Nicholas Sparks, meu amigo, faça as malas e junte-se à eles.

Vocês não precisam mais tentar traduzir o amor. Eu descobri! Descobri o gesto mais romântico, mais carinhoso, mais, mais, mais, assim, amoroso que existe. A sinédoque do amor. A parte do todo. Todo o amor que um casal é capaz de mostrar em apenas alguns segundinhos.

Está pronto? Que rufem os tambores.

Rufou?
Então, aí vai.

Beijar na pontinhas do pés.

Não faz essa cara, você sabe do que eu estou falando. Sabe quando ela se estica inteirinha e fica na pontinha dos pés pra te beijar? Então, isso é amor. Sim-ples assim.

Eu sei, eu sei, parece romântico demais e talvez até seja, sabe? Mas só pode ser amor. Só pode! Quando seus netinhos perguntarem daqui 40 anos o que é amor, pode responder na lata: amor é beijar na pontinha dos pés. Ó, pensa comigo. Não existe nada mais romântico. Nada. Pedido surpresa de casamento ao som de Bruno Mars e coreografia da família toda? Pfffff. Sempre abaixar a tampa da privada? Tá com nada.

Primeiro, em um beijo na pontinha dos pés, o amor está puxando a pessoa pra cima, não pra baixo. É um gesto otimista. Segundo, é um gesto de esforço. Duas coisas necessárias numa relação. Esforço porque a pessoa está se esticando inteira, indo até a pontinha. E não é ponta, é pontinha. É o limite, o máximo que dá e mais um tiquinho, só pra beijar os SEUS lábios. E não é algo rápido, nãããããoo, senhor. A pessoa fica parada alguns segundos, enquanto músculos nunca antes trabalhados na história do Brasil – por que só tem aula de spinning, hein? Cadê a aula de pontinha dos pés, BioRitmo – tentam segurar o peso de tanto amor. Como artistas do Cirque du Soleil tentam segurar seus parceiros no meio de uma pirueta ou como um amigo chateado tenta segurar a outra ponta do sofá na mudança que você prometeu ser rápida. Vamo ser sinceros, a última vez que cinco segundos demoraram tantas horas foi quando Roberto Baggio partiu pra bater o pênalti em 94.

Pergunte pra qualquer um que já tenha beijado na pontinha dos pés e você vai descobrir que cansa. A perna dói, o corpo quer ceder mas quando os lábios se tocam, ah, o que a gente mais quer é que aqueles segundos virem horas mesmo. Mundo injusto! A pontinha dos pés não segue a razão. Não, senhor! Ela tem vontade própria, tempo próprio, amor próprio, mas pronto pra dividir com você, o próprio.

Beijar na pontinha dos pés! Que sorte a gente tem. Polegar opositor, Rappi e beijo na pontinhas do pés. O que mais falta pra ser feliz? Que época pra se estar vivo. Não sei quem inventou o beijo na pontinha dos, mas se soubesse ia até essa pessoa e dava um beijão de obrigado. E na pontinha dos pés, lógico!

A verdade é que eu sempre fui quem recebe o beijo. Uma vez só eu queria estar do outro lado e ficar na pontinha dos pés enquanto minha panturrilha faz o trabalho pesado e minha boca faz a farra. Um verdadeiro trabalho de equipe.

Sim, porque beijar na pontinhas dos pés é o gesto mais romântico que existe. Deve ser uma sensação maravilhosa. Eu sei. Loucura, blasfêmia? Talvez. Mas é o que o amor faz com a gente. Porque se conhecer o amor da nossa vida é perder o chão, então beijar essa pessoa na pontinha dos pés é o mais perto que a gente chega de voar sem cobrarem por cada mala despachada. E quando se está tão alto e tão apaixonado assim, quem é que precisa de chão?

Ah, que época pra se estar vivo!


Por: Raphael Valenti

Gostou? Compartilhe!
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
41

Imperdível

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados