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Isolamento: Eu prisioneira de mim e da minha própria arrogância

A arrogância é um dos frutos podres do isolamento.

Depois de participar de um ritual de purificação, sob a luz da lua cheia que ilumina as partes escuras da noite, chegou à mim uma linda compreensão: o isolamento alimenta a minha arrogância.

Como um lampejo, eu comecei a enxergar que quanto mais eu me isolo mais me sinto especial e “diferente” dos demais. Minha preguiça de interagir com o outro aumenta e então eu me sinto maior e mais importante que ele.

Crio a falsa realidade de que quase todos os demais universos são desinteressantes em relação ao meu e tudo isso é algo que acontece de uma forma muito sutil e sorrateira. A arrogância rouba a cena e se apresenta com “classe”, se é que existe tal coisa.

Além de avolumar a minha arrogância, o meu isolamento me traz ainda uma outra preciosa desvantagem: a perda da qualidade da leveza e da alegria de viver. Tudo fica muito sério no isolamento, simplesmente porque eu me levo muito a sério quando me isolo e rir se torna algo mais difícil de acontecer pois aí também existe uma maior exigência à respeito do que é capaz de me entreter e, portanto, de me fazer feliz.

A minha tolerância com o mundo ao meu redor vai se esvaindo em doses homeopáticas, e portanto quase invisível, o que faz todo esse processo de distanciamento ser algo bastante perverso (comigo antes de tudo), pois o veneno vai tomando conta do meu sistema sem que eu perceba.

No final das contas percebo que na verdade (nua e crua) a impaciência que manifesto é última análise em relação à mim mesma, pois não é possível viver apenas no meu próprio universo sem me entediar em algum momento. Afinal de contas, o que é mesmo a vida sem a diversidade?

A pobreza de ser apenas um durante muito tempo incomoda.

Parte (uma boa parte) do meu entusiasmo pela vida vem justamente do resultado da minha interação com o outro (ou outros). Uma quantidade considerável daquilo que compõe a minha energia vital vem do universo de sabores, cores e texturas que o encontro com o outro me oferece e eu já não posso mais me dar o luxo de prescindir desse contato.

Para finalizar essa cura em forma de confissão, cito o trecho de uma música de Alceu Valença que me chamou especial atenção recentemente e eu não sabia exatamente a razão, até escrever essas palavras: “mas é tarde demais para ser sozinho.”

Agradeço.

Komala Roberta

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