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Eu Milkshake Você

Como dizer 'eu amo você' sem dizer 'eu amo você' toda hora.

Olha, eu tive uma ideia. Vai parecer maluquice, besta até, mas só me escuta um segundo antes de decidir.

A primeira vez que eu disse eu amo você, você lembra? Foi naquela festa chata da Marcela. Você tava tão bonita naquele seu vestido vermelho que eu adoro. Eu só tinha olhos pra você mesmo a festa tendo aquele doce de chocolate branco com uva. E você sabe que eu adoro chocolate branco com uva.

No final da festa, você veio na minha direção, lembra? Eu lembro como se fosse ontem. Como se fosse hoje. Porque esse exato segundo é o que alguns chamam de felicidade. O que eu chamo de felicidade. Antes de você me beijar, eu disse:

“Ei, eu amo você, sabia?”

Você abriu o sorriso mais gostoso que eu já vi e disse que me amava também. O problema é que uma vez que a gente vê ou escuta uma coisa, quando vê ou escuta de novo, já não é igual.

Por exemplo, quando você escuta o Transa do Caetano pela 14º vez, não é igual à 1ª vez que você escutou o Transa do Caetano. Ou o Grand Canyon. A 20ª vez que você vê o Grand Canyon não chega aos pés da 1ª vez que você viu o Grand Canyon.

Eu tava lendo sobre isso esses dias, é coisa do cérebro mesmo. Ele processa mais rápido aquilo que já conhece e aí se acostuma.

Isso quer dizer que depois que você escutou o meu ‘eu amo você’ pela primeira vez, as próximas vezes não vão ter o mesmo efeito, sabe? Vai virar rotina. E a gente começa a falar ‘eu amo você’ como se não fosse nada demais.

Então, eu fiquei pensando: como eu faço pra te dizer, como se fosse a primeira vez, o quanto eu te amo? Como eu engano o cérebro? E hoje de manhã, eu tive uma ideia:

Eu milkshake você.

Sim, é a mais pura verdade, amor.

Eu milkshake você.

A partir de hoje eu não vou mais falar eu amo você. Eu vou trocar amo por alguma outra palavra. Não qualquer palavra, claro. Tem que ser algo foda. Muito foda.

E não, não é porque eu te ame menos. Não é isso. Eu só quero que toda vez seja igual a festa da Marcela. Ainda vai ser um ‘eu amo você’, mas seu cérebro não vai mais processar como se fosse algo comum e você vai dar aquele mesmo sorriso gostoso. Que tal?

Eu Billie Holiday você.

Eu seus olhos azuis você.

Eu dormir até tarde no domingo você.

Eu café na cama você.

Eu maratona de How I Met Your Mother você.

Eu Caetano você.

Eu dançar juntinhos de madrugada você.

Eu sei, parece besta. Ridículo, talvez. Mas não é essa a graça do amor? Ser besta? Fazer coisas que a gente diz que nunca faria, mas que na verdade é só porque a gente não achou a pessoa certa com quem fazer?

Agora eu posso falar que ‘eu sua lasanha você’. Que ‘eu acordar do seu lado você’. Que ‘eu Paraty você’.

Acontece que meu amor por você é tão grande, mas tão grande que é impossível — pra não dizer injusto — colocá-lo em uma só palavra.

Talvez nem mesmo em uma língua inteira. Mas não custa tentar <3.


Por: Raphael Valenti

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