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É só uma maré ruim

Aos sentimentos que chegam e se vão.

Diante das cortinas abertas, eu dobrava as roupas espalhadas pela cama. Meus lábios trêmulos acompanhavam a letra da música – “take this fainted heart”, eles cantavam sem emitir som algum, enquanto eu fitava a janela e seguia dobrando as roupas mecanicamente.

Não sentia a dor, nem a tristeza. Elas estavam por perto, eu sabia, mas cerrava as pálpebras para não enxergar. Meu coração havia chorado o dia todo mas meus olhos, impassíveis, permaneciam secos.

Acabaram-se as roupas… e a música cessou. Sentei-me na cama. Olhava à minha volta, sem Norte quando, num impulso, levantei e me debrucei sobre a janela, pondo o rosto para fora. À meia luz, observava as árvores, as luzes dos carros lá embaixo e sentia no rosto o frescor da noite. Uma brisa forte soprou vida no meu coração desmaiado.

Refleti (…) A todo tempo imergimos em emoções, e delas emergimos. Às vezes o excesso nos oprime, às vezes o vazio nos toma. As oscilações emocionais são inevitáveis. Houve um tempo em que eu me desgastava, no agitado mar dos sentimentos, na tentativa de voltar ao meu estado de equilíbrio… a vida me ensinou a apenas permanecer firme e aguardar até que as ondas passem. E, acredite, sempre passam.


Por: Ana Gabriela Nunes

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