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“É só um café”

Às vezes uma faísca basta.

“É só um café”, ele me disse no telefonema.
Depois de meses sem nos vermos…
(Será que eu deveria…?)
E eu aceitei.
Não era nada arriscado, afinal.
Era só um café.
Não?!
Mas não foi só um café.
[…]
Me lembro bem de tudinho:
Fizemos nossos pedidos.
Rimos de velhas memórias.
E ele me olhou como se fosse a primeira vez.
E que olhar…
Eu estava saturada de amores vazios.
Depois de uns meses varrendo pra fora tudo que havia no meu coração, ele mais parecia um frívolo galpão desabitado.
Uma concha vazia.
Uma casca sem vida.
[…]
Exceto por ela: uma única sobrevivente.
Lá dentro, uma faísca se arrastava pelo vazio cinzento.
Muito tempo sem água, comida ou fonte de calor.
A coitada segurou as pontas,
Morrendo de frio.
Mas ela dizia, com voz falha, “ainda dá tempo! Eu tô aqui!”
E eu, inerte, fingia não escutar.
[…]
Mas ele escutou a bendita faísca.
Detectou na hora.
E ateou fogo.
Um segundo olhar seguido de um incêndio interno.
E bem…
Você conhece o resto da história.
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