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Cortinas fechadas

Aos espetáculos que a vida planeja e a gente cancela.

Apaguei todas as lâmpadas. O quarto estava totalmente escuro. Abri as cortinas e me deparei com as luzes das janelas dos prédios. Me debrucei sobre o parapeito da janela, sentindo o vento gelado no rosto e ele sussurrava segredos. O que as pessoas estariam fazendo acordadas àquela hora?! Eu estava imersa em pensamentos enquanto, gradativamente, as luzes se apagavam… menos uma: um rapaz estava debruçado no parapeito, como eu.

A distância considerável me impedia de enxergá-lo com nitidez, mas algo me dizia que ele estava me olhando de volta. Nossas almas conversaram mais alto que o barulho dos carros lá embaixo na rua. Ele podia ser qualquer pessoa, com qualquer história, de qualquer lugar. Eu não me importava; por um breve momento, o destino havia nos unido e eu desfrutei dos intensos instantes… até que o rapaz fechou as cortinas.

Refleti brevemente… quantos encontros de almas desperdiçados diariamente?! No ônibus, no metrô, no parque, na escadaria da faculdade, no elevador do prédio… na janela. Quantos olhares, livros iguais, sorrisos aleatórios e esbarrões acidentais (acidentais? Será?). Talvez tudo isso seja cuidadosamente planejado pelo destino. E nós?! Bem, nós chamamos de acaso e fechamos as cortinas.


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