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A Garota Perfeita

Uma história de (quase) amor.

Você tem um cabelo preto um pouco curto é verdade, tão curto que eles nem cobrem seus ombros quando você tenta joga-los pra trás, rindo de uma piada boba minha. E ah, essa  risada, que, igual ao seu andar, é um pouquinho atrapalhada.

Você não é muito alta. Nem muito baixa também. Caso alguma mulher pergunte, você tem 1,65m, mas eu sei que são 1,63m. Sei também que adora me avisar quando vê alguém menor do que você e fica se medindo à distância, pra ter certeza de que você é realmente mais alta.

Temos o mesmo gosto em música. Quer dizer, quase o mesmo, porque você gosta de música clássica. Mozart, Bethooven, Stravinski, essas coisas que eu não entendo e que você já se cansou de tentar me explicar. Também temos o mesmo gosto em cinema com exceção de Superbad, no qual você não vê a menor graça. Em relação a dotes culinários, somos ambos uma grande negação. Nada além do arroz, feijão e quando resolvemos ousar, uma massa com molho de caixinha. E nem é por falta de tentativa: lembra aquela vez que a gente tentou um risoto de shimeji só pra terminar pedindo pizza? Você sabe cozinhar o suficiente para sobreviver mas não tem problema. Eu gosto de levar você pra jantar. Gosto quando você me censura na hora da sobremesa. Gosto quando você me abraça enquanto o valet não traz o carro e eu penso que é por momentos como esse que estacionar em restaurantes custa tão caro.

Gosto do jeito que você olha para mim enquanto estou vendo o quinto episódio de alguma série ruim na Netflix. Gosto de te levar flores em uma terça feira qualquer. E gosto que você as coloca num vaso, mesmo eu tendo comprado justamente a flor errada. De novo. Gosto de como, toda vez que eu sento no sofá, você vem deitar junto e coloca seus pés frios embaixo da minha perna. Gosto que você me deixa, às vezes, dormindo nesse mesmo sofá, me dando um beijo de boa noite, com a boca mais aberta que seus olhos. Gosto de tirar sua roupa lentamente enquanto você me olha, esperando qual vai ser o próximo passo. Gosto como você é desajeitada quando tenta ser sexy e sexy quando é desajeitada.

Gosto do tanto que eu gosto de você. Tudo bem, é mais do que gostar, é amor mesmo. Desse clichês de comédia romântica. Gosto das segundas com você. Das terças, quartas, quintas, sexta, sábados. Até dos domingos. Eu tenho vários melhores amigos, mas você é a única melhor amiga e só com você eu consigo passar horas falando sobre nada, como aquela vez em que ficamos trinta minutos conversando sobre a possibilidade real de passarinhos gerirem um bar de caipirinha.

Você é perfeita. Quer dizer, quase. Seus olhos, grandes e castanhos, são perfeitos. Os óculos, que você raramente usa porque acha que ficam grandes em você, são perfeitos. O jeito que você dança sem saber dançar é perfeito. O jeito que você canta sem saber cantar é perfeito. Até seu jeito estranho de espirrar é perfeito. A verdade, é que você, amor da minha vida, só tem um defeito: eu ainda não te conheço.


Por: Raphael Valenti

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